terça-feira, 26 de maio de 2020

Entrevista a António Dias Rocha


«A pandemia foi um verdadeiro apagão de Belmonte»



P – Num concelho que tem apostado no turismo, qual é o impacto da pandemia da Covid-19 neste setor em Belmonte?
R – Um desastre. Nos dois primeiros meses do ano levávamos já 17 mil visitas. Previa-se um ano fabuloso. Depois foi uma verdadeira queda em dominó… em que todas as peças tombaram de um momento para o outro. Fecharam todos os museus e o castelo; cancelámos as tradicionais festividades de Abril; adiámos o grande concerto com o brasileiro Martinho da Vila, em Julho e teremos de cancelar a Feira Medieval, em Agosto. A somar a tudo isto, encerrou o comércio, Cafés, hotéis, turismo local… foi um verdadeiro apagão de Belmonte. Habituados a ter sempre turistas pelas ruas, convidados estrangeiros, eventos com muita participação, vemo-nos agora confinados a nós mesmos… dentro de portas. Mas é o momento de erguer a cabeça, mexeu com contas da autarquia, mas, sobretudo, colocou em causa toda a economia do sector, colocou em causa postos de trabalho, a rentabilidade das famílias… E quando falamos do turismo, é só um exemplo. O mesmo sucedeu com as confecções, com a agricultura, etc… as próprias entidades de apoio social, foram forçadas a um esforço financeiro tremendo, para proteger os grupos de risco… Mas, importa sublinhar que não tivemos infectados com Coronavírus no concelho, o que nos deixa muito satisfeitos. É preciso dar os parabéns a todas as entidades envolvidas, serviços de saúde, lares, bombeiros, GNR, Protecção Civil, Juntas de Freguesia… e também ao comportamento cívico das nossas populações.
P – E quais são as consequências nos museus da vila? Quando será possível a sua reabertura?
R – Os museus estiveram em manutenção nestes tempos e reabriram esta segunda-feira, Dia Internacional dos Museus, com todas as medidas de protecção impostas pela Direcção Geral de Saúde. Mas perdeu-se toda uma dinâmica que estava criada. Estão anuladas as visitas de muitas escolas – centenas e centenas de crianças, estão anulados grupos que vinham por agências de turismo, foram fechadas as fronteiras com Espanha… foram anulados e/ou adiados eventos que seriam acolhidos nas suas instalações, como é o caso dos Colóquios da Lusofonia. Até a BTL – a grande Bolsa de Turismo de Lisboa foi anulada, e era um ponto estratégico na nossa promoção. Mas a empresa municipal vai trabalhar com as agências, hotéis, alojamento local, comerciantes, restauração, para que possamos recuperar a dinâmica de sempre… já recuperamos de outras crises, temos força, capacidade de reacção e confiamos nas nossas potencialidades, no nosso património natural, na nossa cultura, na capacidade de acolher as pessoas…. Os turistas já estão a regressar, logo chegarão em força. O ano de 2021 será em grande!
P – Qual vai ser a estratégia do município para relançar Belmonte nos roteiros do turismo brasileiro e judaico?
R – A nossa estratégia está implementada e vai continuar. Tivemos apenas um interregno no tempo, que não foi só nosso, foi global. Temos uma estratégia delineada com o Brasil, uma rede de interação com a Costa dos Descobrimentos, sobretudo com Porto Seguro e Cabrália. O ano passado assinámos um acordo de geminação com a capital financeira do Brasil, São Paulo. Estamos com relações com Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Esperamos a oficialização e abertura do Consulado Honorário do Brasil. Há fortes ligações turísticas e empresariais que darão frutos muito em breve. A nossa ligação a Israel e à diáspora judaica continua forte, com muitas visitas… não vamos perder esta dinâmica. Depois desta paragem 2021 tem tudo para ser uma grande ano do ponto de vista turístico e económico, assim a situação do vírus a nível internacional permita desbloquear fronteiras e retomar as ligações aéreas normais….
P – No setor das confeções duas grandes empresas estiveram em “lay-off”. Está pessimista quanto ao impacto do coronavírus nesta atividade tradicional do concelho?
R – Este é um sector delicado pois tem grandes encargos fixos, muita mão-de-obra, o que exige uma capacidade de resposta financeira tremenda. Quer na importação de tecidos como na exportação de peças confecionadas, vive muitos dos mercados espanhóis e italianos, que estão também mergulhados em crise profunda, pelo que a recuperação do sector não se afigura fácil… ainda assim, temos empresários muito sólidos, com forte capacidade de gestão, que souberam readaptar as suas empresas a estes tempos difíceis com o mínimo de prejuízos para os trabalhadores… E, o que é muito importante, as empresas estão a regressar à actividade, estão de novo a enfrentar o mercado… temos de acompanhar este esforço, apoiar estas empresas para que voltem a empregar pessoas e a criar riqueza. Estou confiante.
P – Como tem a Câmara Municipal acompanhado este problema?
R – Com muito empenhamento. Tem havido um contacto permanente com as empresas, as indústrias, o comércio… vamos manter este diálogo alargado entre o poder político e os agentes económicos do concelho. Temos um gabinete de apoio ao investimento que está a estudar o impacto económico no concelho, e as linhas estratégicas para recuperar sector a sector… Veremos como podemos agir caso a caso… A Câmara Municipal de Belmonte será sempre uma parceira segura e em breve retomaremos a nossa dinâmica. Os nossos empresários são arrojados e capazes e a nossa população é gente séria e trabalhadora, por isso vamos sair disto, juntos e mais fortes!

Perfil de António Dias Rocha:

Presidente da Câmara de Belmonte
Idade: 68 anos
Naturalidade: Portuguesa
Profissão: Médico
Currículo (resumido): Ocupou vários cargos na área da saúde, já foi Presidente do Sporting Clube da Covilhã, Presidente do Conselho de administração da empresa Águas do Zêzere e Côa S.A., presidente da Aldeias Históricas e dos Bombeiros Voluntário de Belmonte. Actualmente é presidente da Câmara de Belmonte pela segunda vez. Actualmente é Presidente da Rede de Judiarias; Presidente da Associação de Municípios da Cova da Beira; Presidente da Assembleia-Geral da Resistrela; Presidente da Assembleia–Geral da Santa Casa da Misericórdia de Belmonte; Presidente da Assembleia-Geral dos Bombeiros Voluntários de Belmonte;
Livro preferido: “Vera Cruz” (Biografia de Cabral)
Filme preferido: “E Tudo o Vento Levou”
Hobbies: Futebol


sábado, 9 de maio de 2020

Município de Belmonte entrega kits de higiene



No âmbito do levantamento gradual das medidas de confinamento e na retoma dos serviços e atividades económicas, é fundamental que todos se protejam a si e aos outros.

Assim, o Município de Belmonte começou hoje a entrega de kits com máscaras reutilizáveis, luvas, gel desinfetante e um conjunto de folhetos com informação importante para toda a população do nosso concelho.

O Município apela à continuação na adoção de comportamentos responsáveis e adequados às normas de disseminação do contágio do vírus COVID-19, emitidas pela Direção Geral de Saúde.

A entrega dos kits está a ser feita porta a porta pelas Juntas de Freguesia do Concelho, Funcionários da Empresa Municipal, Funcionários do Município e Voluntários do Concelho que espontaneamente se juntaram à autarquia para ajudar na distribuição.

Muito obrigado a todos!
Contem connosco. Nós contamos com todos!

O Presidente,
António Pinto Dias Rocha

segunda-feira, 6 de abril de 2020

COVID 19 muda Belmonte



“Não se vê ninguém. É dramático. A vila parece um deserto”. É esta a reacção do presidente da Empresa Municipal de Belmonte, Joaquim Costa, quando confrontado com as consequências do efeito do Covid-19 no que toca ao turismo no concelho, que é, a par das confecções, a principal actividade económica do concelho.
Em Belmonte, no passado dia 13 a Empresa decretou, a par da autarquia, o fecho dos diversos espaços museológicos do concelho, como medida preventiva. E agora teme-se o que possa ser o futuro num concelho onde as visitas a estes espaços ultrapassam as 100 mil anuais. Várias excursões, que normalmente visitam diariamente a vila, foram adiadas ou canceladas, e até as unidades de alojamento viram diversas reservas serem adiadas.
“Em Janeiro e Fevereiro estávamos já com um total de 16 mil visitas. Um crescimento de 24 por cento face a 2019, em que no mesmo período estávamos com cerca de 12 mil. Até ao dia que fechámos contávamos com cerca de 1500 entradas nos museus, mas já com diversos grupos a contactarem para anular. Aliás, temos cancelamentos até Junho e Julho” lamenta Joaquim Costa.
Ainda sem números oficiais de 2019, sabe-se que o crescimento foi na ordem dos 20 por cento, tal como em 2018, altura em que as visitas aos espaços museológicos da vila se cifraram nos 120 mil 150. Ao longo dos últimos cinco anos, entre 2013 e 2018, a grande maioria dos turistas foram portugueses (290 mil), dez mil residentes no concelho, brasileiros (44.183 visitas), seguidos dos espanhóis, com 36.460 e israelitas, com 32.002. Uma dinâmica “elevada” que o responsável da Empresa Municipal teme que se perca. “Estou preocupado com o retorno. O regresso desta dinâmica do turismo, em Belmonte, vai demorar. Mas tínhamos que prevenir. Até os nossos funcionários sentiam alguma angústia quando vinham grupos do estrangeiro, Ninguém sabe se vem alguém ou não infectado com o novo vírus. Isto vai ter repercussões até ao nível da Empresa Municipal, pois esta vive e sustenta-se, e paga ordenados, do dinheiro que encaixa das visitas aos diversos espaços museológicos” frisa Joaquim Costa.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Vera Cruz - João Morgado


A vida desconhecida de Pedro Álvares Cabral
D. Manuel sonha com um império. Precisa de homens que saibam dominar os oceanos, descobrir terras, submeter povos e amealhar as mais variadas riquezas. Pedro Álvares Cabral é escolhido para comandar a maior frota do reino, rumo às especiarias do Oriente.
Uma viagem tortuosa, mas que acabou em glória, com muitos proventos e a descoberta de um novo mundo – VERA CRUZ. Casualidade ou intencionalidade? Terá o capitão-mor desobedecido ao rei? E obedecido a quem?
O que conhece de Pedro Álvares Cabral?
Que descobriu ou achou Vera Cruz, hoje, Brasil?
- Isso foram apenas dez dias na sua vida…
Sabe que era um homem culto para a época?
Que tinha uma rivalidade com Vasco da Gama?
Que aportou em quatro continentes?
Que após uma traição dizimou uma cidade inteira na Índia?
Que casou com uma mulher que era neta dos reis de Portugal e de Castela?
Que morreu em Santarém desiludido com o reino?
Uma história de jogos de sombras e traições na época áurea dos descobrimentos.

Rádio Judaica Portuguesa




A única Rádio Judaica Portuguesa emite pela internet a partir de Belmonte para todo o mundo.
Foi criada à cerca de um ano por judeus com o objetivo de divulgar a cultura judaica e também promover a região.


www.radiojudaicaportuguesa.com

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Belmonte Sinai Hotel


Cerca de um milhão de euros é a estimativa do investimento que o Belmonte Sinai Hotel pretende fazer no próximo ano para pôr em marcha o projeto de ampliação, que inclui 24 novos quartos, spa, ginásio e duas piscinas, uma no exterior e outra no interior, aquecida, que estará também disponível para o público.
Ricardo Abreu, o diretor da unidade hoteleira belmontense, confirma, assim, a primeira informação dada pelo autarca António Dias Rocha na última reunião do executivo.
O projeto de arquitetura já deu entrada nos serviços da Câmara e em breve deverá receber a aprovação. “Depois, vamos tentar formalizar a candidatura a um programa de apoio comunitário que ainda está aberto até final do ano”, explica Ricardo Abreu, acrescentando que em 2021 a obra poderá estar concluída.

Filipe Sanches
Jornal do Fundão

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Belmonte Medieval 2019 | 14 a 18 de Agosto




LENDA DO CATIVO DE BELMONTE 
Esta é a história de Manuel, um corajoso escudeiro de um cavaleiro de Belmonte. Ambos partiram da sua terra natal para combater os mouros em duras batalhas, onde sempre mostraram a sua bravura. 
Um dia, Manuel foi capturado pelos mouros e levado para Argel. Ali ficou longos anos como escravo, tendo um senhor muito cruel que lhe dava maus tratos, obrigando-o a trabalhos muito duros e à noite o fechava numa arca. 
Encarava o seu destino como uma penitência e iludia as saudades da terra e da família com as tarefas mais pesadas. Após muitos anos, o seu senhor perguntou-lhe qual o significado da palavra que Manuel repetia vezes sem conta: esperança. Manuel disse-lhe que significava o desejo de voltar à sua terra e a sua fé na Virgem da Esperança. 
O mouro respondeu-lhe que tal fé era impossível e tornou-lhe a vida ainda mais dura.
Conta a lenda que a Virgem se apiedou de Manuel e a arca onde Manuel costumava dormir elevou-se no ar e desapareceu em direção ao mar. 
No mesmo dia, as gentes de Belmonte que se dirigiam à missa na Igreja de Santa Maria viram, espantados, uma arca aterrar junto a esta e de lá sair Manuel. A alegria foi indescritível e o povo decidiu erguer nesse sítio uma outra capela, dedicada a Nossa Senhora da Esperança.
O alarido misturou-se com o cantar alegre dos sinos. O júbilo causado pela inesperada e milagrosa aparição de Manuel foi enorme.

A Lenda renasce...