quarta-feira, 31 de março de 2021

A primeira pedra de Belmonte

A estória da primeira pedra da Aldeia Histórica de Belmonte

Conhecida como a vila portuguesa onde se fixou a maior comunidade judaica no país, assim como o berço de Pedro Álvares Cabral, Belmonte é um lugar de inestimável valor histórico para o nosso país, tais são as estórias que guardam as suas muralhas…


Uma das mais curiosas estórias que se contam de geração em geração em Belmonte é a do seu surgimento. Diz-se que, um dia, um pastor grego chamado Carámo, que levava as suas ovelhas para as encostas dos montes da Grécia, onde os deuses habitavam, sofria há muito tempo por dormir ao relento e viver pobremente, decide um dia construir uma casa para si. Mas não sabia onde: tinha de ser um lugar onde as suas ovelhas pudessem ter sempre pasto, mesmo durante o inverno. Parte então para Delfos, em busca de respostas junto dos deuses. Estes dizem-lhe: “segue as tuas ovelhas. Depois de um longo caminho, acabarão por parar. É aí que deves construir a tua casa”. O pastor decide fazer como lhe aconselham os deuses e segue, durante anos, o trilho do rebanho até parar num monte rodeado de pastagens verdes, e onde corria o rio Zêzere: tinha chegado a Belmonte. Deslumbrado pela paisagem, e confiando no que lhe tinham dito os deuses, leva da montanha uma pedra, que se tornaria a primeira da casa que constrói – esse foi o começo de Belmonte.

Isto é o que nos diz a lenda. A História conta-nos, por outro lado, que a presença humana no concelho de Belmonte remonta aos tempos da pré e proto-história (a Anta de Caria, os Castros de Caria e a Chandeirinha comprovam isso mesmo) e edifícios como a Torre Centum Cellas ou a Villa da Quinta da Fórnea provam que o povo romano também se fixou por ali.
Há, assim, muito para descobrir na vila que nos deu um dos mais valorosos guerreiros da nossa História. A Torre Centum Cellas, no Colmeal da Torre, por exemplo, de que falámos assim, é um dos mais interessantes edifícios de Belmonte. Trata-se talvez do monumento mais enigmático do concelho, cuja funcionalidade tem sido alvo de várias interpretações, ao longo dos anos, por inúmeros investigadores: templo, prisão, acampamento romano, albergaria para descanso dos viajantes, ou villa romana. Após escavações feitas na década de 90, a Torre Centum Cellas seria uma vila romana do século I d.C., onde a família de Lucius Caecilius se dedicaria à exploração agrícola e de estanho, que abundava naquela região.


Visitar Belmonte é, assim, uma experiência inesquecível de descoberta de outros povos e culturas (o judaico e o romano, por exemplo), mas também um tranquilo interregno entre as correrias do dia-a-dia e das cidades, que tão bem nos faz na loucura dos nossos tempos.

http://www.aldeiashistoricasdeportugalblog.pt/

segunda-feira, 1 de março de 2021

Lenda do cativo de Belmonte

 

LENDA DO CATIVO DE BELMONTE

 Existe no Museu Carlos Machado de Ponta Delgada um painel quinhentista, muito repintado, com a rara representação da lenda do Cativo de Belmonte. Esta lenda, hoje praticamente esquecida, diz-nos que o soldado Manuel, natural de Belmonte, foi preso pelos mouros em Argel e lá ficou alguns anos como escravo de um senhor muito cruel que lhe dava maus tratos e à noite o fechava numa arca sobre cujo tampo dormia. O pobre cativo não deixava de pedir auxílio a Nossa Senhora da Esperança que, segundo narra o milagre, lhe apareceu na véspera de Páscoa e lhe anunciou que iria ser em breve liberto. E, maravilha !, a arca onde Manuel estava fechado e acorrentado elevou-se no ar e voou acima do mar, juntamente com o mouro que sobre ela dormia. Desde Argel, a arca chegou a Belmonte no sábado de Aleluia, à hora da missa, para espanto da população. O mouro cruel logo se converteu ao cristianismo, e o cativo fez erguer no local uma capela dedicada a Nossa Senhora da Esperança. A tábua de Ponta Delgada (cuja existência é agora revelada na 'História da Arte nos Açores') deve-se a uma oficina micaelense activa no final do século XVI ou início do XVII e justifica tratamento, restauro e exposição. Na igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, termo de Évora, encontrei um fresco de início do XVII que narra o mesmo milagre do cativo de Belmonte. Existe numa igreja de Penamacor uma tela do século XVIII, dada a conhecer em monografia de José Manuel Landeiro, que narra este raríssimo milagre mariano, mas não me consta que em Belmonte exista hoje alguma representação. Também no Algarve, em Olhão, existe outra versão desta singular história de mouros e cativos. Contei esta história maravilhosa de redenção às minhas netas. E... será mesmo que não existem milagres ?

domingo, 17 de janeiro de 2021

Calendário em homenagem aos bombeiros de Belmonte



Já pode adquirir o seu Calendário de 2021 nos serviços administrativos da Santa Casa da Misericórdia de Belmonte













Neste projecto participam utentes da Santa Casa da Misericórdia de Belmonte, numa ideia inspirada em calendários de bombeiros australianos e portugueses.

https://www.facebook.com/scmbelmonte/



sábado, 26 de dezembro de 2020

Estrela Geopark - Belmonte


Quando a noite chega à Montanha, traz consigo os cheiros das lareiras, os sons das conversas que entoam no horizonte, as luzes que se espraiam na paisagem e uma brisa gelada que nos recorda os rigores do inverno na Estrela!


https://www.facebook.com/EstrelaGeopark

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Desconto 50% nas ex-SCUT


 O valor das portagens nas antigas autoestradas sem custos para os utilizadores (SCUT) vai ser reduzido já a partir de janeiro de 2021, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado.

A proposta do PSD foi parcialmente aprovada, deixando de fora as compensações pela perda de receita com a redução das portagens em 50% para os carros com motor a combustão e 75% para os veículos elétricos.

Em causa estão as portagens na A22, A23, A24 e A25 e nas concessões da Costa de Prata, do Grande Porto e do Norte Litoral., em que os utilizadores beneficiam de "um desconto de 50% no valor da taxa de portagem, aplicável em cada transação", e, para veículos elétricos e não poluentes, o desconto é de 75%.

Esta parte das propostas de alteração apresentadas pelos sociais-democratas foi aprovada com os votos contra de PS e Iniciativa Liberal, a abstenção do PAN e os votos a favor dos restantes. O deputado do PSD, Afonso Oliveira, acusou o PS e o PCP "de irresponsabilidade e hipocrisia", ao rejeitarem formas de compensação pela perda de receita, onerando o Orçamento do Estado.

A parte das propostas do PSD que foi rejeitada referia que "o Governo fica autorizado a proceder às alterações orçamentais, se necessário, para compensar a eventual perda de receita", no âmbito da aplicação dos descontos no valor da taxa de portagem nestas autoestradas, sendo que a medida entraria em vigor apenas no segundo semestre do ano.

As propostas sociais-democratas rejeitadas estabeleciam ainda que o Governo podia, "se necessário, renegociar os contratos com as concessionárias das supramencionadas autoestradas até ao dia 01 de julho de 2021, salvaguardando sempre o interesse do Estado", e que as alterações produzem "efeitos a partir de 01 de julho de 2021".

A votação das propostas gerou o momento mais confuso dos quatro dias de votações na especialidade do Orçamento do Estado, obrigando a duas interrupções dos trabalhos, a primeira pedida pelo PS e depois pelo PSD.

Em causa poderá estar uma perda de receita a rondar os 150 milhões de euros anuais, segundo os cálculos da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) divulgados esta manhã.

Em outubro, o Governo anunciou que os passageiros particulares frequentes e os veículos de transporte de passageiros vão ter descontos na passagem pelas portagens das antigas SCUT, a partir de 01 de janeiro, e que os detentores de veículos de classe 1 e classe 2, que sejam passageiros frequentes das antigas vias sem custos para o utilizador (SCUT), apenas pagarão portagens nos sete primeiros dias de utilização num mês, que podem ser seguidos ou interpolados, tendo descontos de 25% nas passagens seguintes.

As vias incluídas nesta medida são a A22 (a Via do Infante, no Algarve), a A23 - Autoestrada da Beira Interior (quer a concessão da IP, quer a concessão da Beira Interior), a A24 - Autoestrada do Interior Norte, a A25 - Autoestrada das Beiras Litoral e Alta, a A28 - Autoestrada do Norte Litoral, a A4 (na subconcessão Transmontana e na concessão no troço do Túnel do Marão), a A13 e a A13-1 (conhecidas como subconcessões do Pinhal Interior).

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Covid 19 - Estado de emergência


No estado emergência de dura até 23 de Novembro, nos 121 concelhos com maior risco de contágio de Covid-19, há proibição de circulação em horários específicos, mas também há excepções. Deslocações para o trabalho e por razões familiares imperativas fazem parte da lista de 13 excepções, tal como “deslocações pedonais de curta duração, para efeitos de fruição de momentos ao ar livre”.

O Governo anunciou no sábado o recolher obrigatório nas noites durante a semana e entre as 13 horas e as 5 horas nos próximos dois fins de semana, nos 121 concelhos de mais risco de contágio de Covid-19, no contexto deste estado de emergência que começou às 00h00 de segunda-feira e termina às 23h59 de 23 de novembro.

A circulação na via pública na via pública não é permitida, salvo em 13 casos de excepção, que o Governo publicou este domingo no Decreto nº 8/2020.

Conheça as excepções:

a) Deslocações para desempenho de funções profissionais ou equiparadas, conforme atestado por declaração:
i) Emitida pela entidade empregadora ou equiparada;
ii) Emitida pelo próprio, no caso dos trabalhadores independentes, empresários em nome individual ou membros de órgão estatutário;
iii) De compromisso de honra, no caso de se tratar de trabalhadores do setor agrícola, pecuário e das pescas;

b) Deslocações no exercício das respetivas funções ou por causa delas, sem necessidade de declaração emitida pela entidade empregadora ou equiparada:
i) De profissionais de saúde e outros trabalhadores de instituições de saúde e de apoio social;
ii) De agentes de proteção civil, forças e serviços de segurança, militares, militarizados e pessoal civil das Forças Armadas e inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica;
iii) De titulares dos órgãos de soberania, dirigentes dos parceiros sociais e dos partidos políticos representados na Assembleia da República e pessoas portadoras de livre -trânsito emitido nos termos legais;
iv) De ministros de culto, mediante credenciação pelos órgãos competentes da respetiva igreja ou comunidade religiosa, nos termos do n.º 2 do artigo 15.º da Lei n.º 16/2001, de 22 de junho, na sua redação atual;
v) De pessoal das missões diplomáticas, consulares e das organizações internacionais localizadas em Portugal, desde que relacionadas com o desempenho de funções oficiais;

c) Deslocações por motivos de saúde, designadamente para aquisição de produtos em farmácias ou obtenção de cuidados de saúde e transporte de pessoas a quem devam ser administrados tais cuidados;

d) Deslocações a mercearias e supermercados e outros estabelecimentos de venda de produtos alimentares e de higiene, para pessoas e animais;

e) Deslocações para acolhimento de emergência de vítimas de violência doméstica ou tráfico de seres humanos, bem como de crianças e jovens em risco, por aplicação de medida decretada por autoridade judicial ou Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, em casa de acolhimento residencial ou familiar;

f) Deslocações para assistência de pessoas vulneráveis, pessoas com deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes;

g) Deslocações por outras razões familiares imperativas, designadamente o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente;

h) Deslocações de médicos -veterinários, de detentores de animais para assistência médico- -veterinária urgente, de cuidadores de colónias reconhecidas pelos municípios, de voluntários de associações zoófilas com animais a cargo que necessitem de se deslocar aos abrigos de animais e de equipas de resgate de animais para assistência urgente;

i) Deslocações necessárias ao exercício da liberdade de imprensa;

j) Deslocações pedonais de curta duração, para efeitos de fruição de momentos ao ar livre, desacompanhadas ou na companhia de membros do mesmo agregado familiar que coabitem;

k) Deslocações pedonais de curta duração para efeitos de passeio dos animais de companhia;

l) Por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que se demonstre serem inadiáveis e sejam devidamente justificados;

m) Retorno ao domicílio pessoal no âmbito das deslocações referidas nas alíneas anteriores e das deslocações e atividades referidas no artigo 28.º da Resolução do Conselho de Ministros n.º 92 -A/2020, de 2 de novembro.

O Governo explicou ainda que exceto para os efeitos previstos nas na deslocações pedonais de curta duração, “é admitida a circulação de veículos particulares na via pública, incluindo o reabastecimento em postos de combustível, no âmbito das situações referidas no número anterior”.

Nos estabelecimentos em que se proceda à venda de produtos alimentares e de higiene, para pessoas e animais, podem também ser adquiridos outros produtos que aí se encontrem disponíveis, adiantou.

“As deslocações admitidas nos termos dos números anteriores devem ser efetuadas preferencialmente desacompanhadas e devem respeitar as recomendações e ordens determinadas pelas autoridades de saúde e pelas forças e serviços de segurança, designadamente as respeitantes às distâncias a observar entre as pessoas”, acrescentou o decreto.

domingo, 6 de setembro de 2020

CRIPTOJUDAÍSMO DE BELMONTE - MARAVILHA VENCEDORA


 Muitos Parabéns!

CRIPTOJUDAÍSMO DE BELMONTE (Município de Belmonte, Castelo Branco), é uma das Maravilhas VENCEDORAS das 7 Maravilhas da Cultura Popular!
Padrinho Richard Zimler.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Santa Casa da Misericórdia de Belmonte, dia mundial da fotografia

 
















A moda pegou e ainda bem. Depois de no passado mês de julho os residentes da casa de repouso Sydmar Lodge, em Londres, terem homenageado um grupo de artistas com a recriação de capas de discos históricos, agora foram os utentes da Santa Casa da Misericórdia de Belmonte a recriar uma série de álbuns icónicos da música portuguesa e não só. No meio dos discos também há um livro biográfico de Anselmo Ralph. O intuito foi o de celebrar o Dia Mundial da Fotografia, que se assinalou ontem, dia 19 de agosto.  


Os artistas escolhidos representam vários géneros e gerações. Há capas de Amália Rodrigues, José Afonso, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Áurea, Tony Carreira, Ana Malhoa, Marco Paulo, José Cid, António Variações, Anselmo Ralph, Carlos do Carmo, David Carreira, Conan Osiris e Pedro Abrunhosa.    

"O Dia Mundial da Fotografia assinala-se todos os anos na Santa Casa da Misericórdia de Belmonte, no dia 19 de agosto. Este dia, tem como objetivo eternizar momentos, guardar recordações e contar histórias através de imagens. Neste sentido, este ano, decidimos arriscar ainda mais e dar a conhecer o talento dos nossos utentes. Realizámos uma recriação de álbuns icónicos de artistas portugueses através de uma sessão fotográfica. Com esta atividade, permitimos ao utente ser músico por um dia e eternizar esse momento através da fotografia", refere a instituição. 

domingo, 2 de agosto de 2020

Estátua de Zeca Afonso em Belmonte

 


No dia em que completaria 91 anos, Zeca Afonso foi homenageado em Belmonte com a inauguração de uma estátua em tamanho real.

Durante a cerimónia, o presidente da Câmara de Belmonte, António Dias Rocha, destacou a “grandeza” de Zeca Afonso e a importância de reconhecer o “homem, o músico e o interventor social”.

“Uma estátua a Zeca Afonso, mais do que uma consagração ao homem, é um tributo ao seu ideal humanista, à sua excelência musical, à sua grandeza social, à sua fraternidade, à sua generosidade, à sua simbologia política, à sua dimensão universal, à democracia”, apontou o autarca.

A homenagem realizada na terra onde Zeca Afonso viveu algum tempo da sua infância foi também a oportunidade escolhida pela ministra da Cultura para reafirmar a importância da obra do músico.

“A sua música foi ponto de encontro para os portugueses, luz em tempos escuros e festejo na hora da liberdade. Os seus poemas e seus sons são testemunhos daquela obra decisiva”, afirmou.

Uma relevância que, frisou a governante, o Ministério da Cultura também assinala ao dar início ao processo de classificação da obra fonográfica do músico José Afonso, como “conjunto de bens móveis de interesse nacional”.

Lembrando que esta é a primeira vez que, em Portugal, que se inicia a classificação de uma obra fonográfica, Graça Fonseca destacou que a decisão foi tomada em “articulação” com a família de Zeca Afonso, com o principal objetivo de “recolher, investigar e apurar” todo a informação e património sonoro deixado pelo músico.

Reiterou ainda a importância de esse trabalho ser, depois, legado às gerações futuras que, deste modo, vão poder ouvir os originais de Zeca Afonso e saber a importância da sua música e o lugar que teve na história de Portugal, ao ser escolhida como uma das senhas da Revolução do 25 de Abril.

Graça Fonseca destacou que esta classificação é também um “primeiro passo” para que, no futuro, Portugal tenha “um arquivo do som que é património de todos” e que deverá integrar outros sonos determinantes e fundamentais, desde música até, por exemplo, ao som de um animal em vias de extinção.


https://www.jornaldofundao.pt/

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Criptojudaísmo de Belmonte


Belmonte, Castelo Branco

Rituais e Costumes

VOTE JÁ: 760 207 836

Belmonte, terra de tolerância e diferentes credos! Após o édito de expulsão de D. Manuel e o estabelecimento da Inquisição, na Vila continuou a viver uma comunidade judaica em segredo até à sua “descoberta” no início do século XX, mas em total conivência com a restante população.
Estes Filhos de Israel isolados de restantes comunidades e em segredo mantiveram os costumes principais do Judaísmo até ao presente, subsistindo numa comunidade fechada, havendo muitos casamentos entre eles, na qual as mulheres se encarregaram da preservação, manutenção e passagem das tradições, sem sinagoga, com recurso a poucos livros e objectos sagrados, sendo sobretudo através da via oral.
Isto originou que se perdesse o uso do hebraico e muitos dos ritos religiosos, mas a base religiosa do judaísmo foi mantida. Estes judeus são chamados de criptojudeus ou “marranos” numa alusão à proibição ritual de comer carne de porco. Estes continuavam com o hábito de acender uma vela na sexta ao pôr do sol, mas em potes de barro, guardavam o sábado (Shabbat), tinham casamentos e funerais cristãos, mas também os celebravam em casa segundo a sua religião. Mais de 500 anos em contacto com o catolicismo originou também que muitas das suas orações se misturassem, a referência a santos é exemplo dessa mistura.
Desde 1989, altura em que se fundou a Comunidade Judaica de Belmonte que estes se encontram em processo de retorno ao judaísmo primitivo, têm sinagoga, rabino, cemitério, mas séculos de convivência em segredo não se apagam facilmente, em Belmonte ainda se sentem criptojudeus!
Por isso candidatamos a comunidade criptojudaica de Belmonte, porque esta é uma marca intemporal, histórica e identitária de Belmonte, que enfrentaram séculos na perpetuação da sua religião, pelo orgulho de ser judeus.
Em certas povoações de Trás-os-Montes e Beira Interior, comunidades judaicas praticam secretamente a religião «marrânica» convencidas de que seguem o judaísmo na sua forma ortodoxa. Mas é em Belmonte que se situa o centro mais importante do criptojudaísmo actual em Portugal. A comunidade de Belmonte é aquela que conserva mais viva as práticas, usos e costumes da religião judaica, onde os seus membros são mais unidos, e onde mais facilmente se diferenciam da restante.
Não raras vezes Belmonte é chamada a “terra dos judeus”, motivo que enche de orgulho toda uma comunidade. Desde 2005 que em Belmonte existe o Museu Judaico de Belmonte, como forma de homenagear os criptojudeus da Vila, sendo este visitado por visitantes de todo o Mundo.

sábado, 6 de junho de 2020

José Luís Peixoto, viagens para ler (Belmonte)

BELMONTE


Ao lado de séculos, este dia avança pelas ruas.
Como um sopro ou um pensamento, este dia
prolonga-se até ao horizonte, até àquela serra,
enorme destino, distância que aqui começa.
Deste miradouro, somos capazes de avistar
a palma das nossas mãos, como um mapa
das ruas onde nunca nos perderemos: infância,
vontade e este dia a avançar pelas ruas, ao lado
de séculos, a contar-nos que os seus minutos
são mistérios de pedra, são casas de pedra,
são a vida inteira.

https://www.joseluispeixotoemviagem.com/

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Covid-19: Primeiro caso confirmado em Belmonte


Uma mulher com cerca de 60 anos é a primeira infetada com Covid-19 no concelho de Belmonte.
O caso foi confirmado pela autarquia que, em comunicado enviado a O INTERIOR, adianta que o contágio terá ocorrido numa deslocação recente a Lisboa. O marido também já foi testado e o resultado deu negativo.
O município esclarece que, sendo «um caso importado e não de contaminação local, não deixa de merecer a nossa atenção e acompanhamento, por forma a evitar a sua propagação pela comunidade».
Nesse sentido, a situação está a ser acompanhada pelas autoridades de saúde e policiais «desde a primeira hora» para que as regras de confinamento e isolamento profilático sejam «devidamente cumpridas». 
A Câmara de Belmonte acrescenta que também está em contacto com a família afetada, tendo-se disponibilizado, nomeadamente, a fornecer «alimentação e quaisquer outros cuidados». De resto, «os elementos desta família encontram-se confinados nas suas habitações», garante a autarquia.

https://ointerior.pt/

Covid-19: Empresa de Belmonte cria cabine de desinfeção


A Starmodular criou um sistema destinado que permite a desinfeção inteligente das mãos, a medição da temperatura corporal e nebulização e limpeza do calçado, em 25 segundos por pessoa.


Starmodular, uma empresa com sede em Belmonte, distrito de Castelo Branco, criou um sistema destinado a espaços abertos ao público que permite a desinfeção total em 25 segundos para evitar a propagação da Covid-19, foi anunciado.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a empresa explica que esta solução tem a denominação de “SafePlace” e que se apresenta como uma espécie de cabine que pode ser colocada à entrada de qualquer espaço ou edifício, tornando-se um ponto de passagem obrigatório para quem nele quer entrar”.
A empresa garante que o procedimento de desinfeção é realizado “garantindo a distância de segurança e organizado por uma luz de tráfego que assegura a aproximação individual da pessoa ao sistema”.
Segundo a informação, após a entrada no sistema inicia-se o processo de controlo e desinfeção, que inclui desinfeção inteligente das mãos, a medição inteligente da temperatura corporal e nebulização e limpeza do calçado, demorando, apenas, 25 segundos por pessoa.

“Caso a temperatura corporal do utilizador se revele elevada, o sensor sonoro avisa que não é permitida a entrada”, detalha.
O espaço apresenta-se como uma cabine que tem dois metros de comprimento, 2,13 de altura e um metro de largura e cuja estética “convida” as pessoas a utilizarem o sistema.
A empresa, que tem como ramo de atividade a construção de casas modulares, explica que a ideia de desenvolver esta solução surge pela necessidade imposta pela pandemia, como um contributo para “ajudar da melhor forma que podia”.
O sistema é transportável e destina-se a empresas e serviços, como repartições públicas, restaurantes e cafés, escolas e museus, entre outros.
Os primeiros modelos já foram expedidos e devem entrar em funcionamento nos próximos dias.